Ainda sobre o livro "Por Lugares Incríveis". (27 de Janeiro)

O livro “Por Lugares Incríveis” - All The Bright Places - da maravilhosa escritora Jennifer Niven,  me marcou demais de diversas formas, assim como a autora, o suicídio também faz parte da minha história. Antes de qualquer outra coisa, preciso dizer que esse livro me marcou profundamente. Demais mesmo. E agora é como se nenhum outro livro fosse ser bom o suficiente. Preciso desesperadamente de outro livro dela! (@jenniferniven)
Eu nasci dia 28 de abril de 1983, e poucos dias após o meu nascimento, logo no início de maio, meu tio se matou. Sua esposa na época estava doente e acredito que muitas outras razões o levaram a fazer isso. Ele chegou em casa naquele dia dizendo que a amava, dentre outras coisas. Então, se levantou da poltrona na sala segurando uma caneca de água e foi para a cozinha. Lembro que minha mãe disse que ele sempre andava com uma faca na cintura, mas não foi isso que ele usou, e não faço ideia do motivo pelo qual andava com esse objeto. Poucos momentos depois, a esposa dele sentiu um cheiro muito forte vindo da cozinha, e com dificuldade foi ao encontro dele. Ele havia acabado de tomar agrotóxico. Então, ela e alguns amigos da família, o pegaram para levá-lo ao hospital. Minha mãe disse que ele ainda saiu andando, e jogou a faca no chão da sala. Mas de nada adiantou ser socorrido rápido, o veneno agiu rápido e era tão forte que, todos que tiveram contato com ele, tiveram que ter cuidados médicos, tomaram injeção… e o cheiro na casa foi tão forte que conseguiu matar os patos que o vizinho criava. Não sei o quanto isso marcou a minha avó, que não pôde ir ao enterro do filho, ela faleceu quando eu ainda era muito jovem e não tinha muita noção dessas coisas. Bom…
Anos depois, mas precisamente em 2003, eu acho, minha melhor amiga daquela época, tentou se matar. Ela tinha acesso fácil a remédios e já tinha comentado comigo algumas vezes sobre. No meu íntimo, eu ficava com medo quando ela começava a falar essas coisas, e sempre dizia para ela não fazer isso e sempre dava muito apoio. Eu passava a maior parte do tempo quando ela não estava comigo, com muito medo. Medo de que não fosse mais vê-la e que a qualquer momento, ela poderia tirar a própria vida. Mas um dia, bom, ela tentou pra valer. Tomou vários remédios e por sorte, como estava dentro de um hospital, conseguiram socorrê-la. Nesse dia, eu senti que havia algo estranho, mesmo ainda não tendo falado com ela, eu sentia no meu coração que algo estava errado e no dia seguinte, quando ela me contou… eu fiquei estática. Não conseguia pensar. Ela disse que no momento em que havia tomado, pensou em mim. Depois desse episódio, ela nunca mais fez algo do tipo. Não enquanto ainda estávamos próximas, porque um tempo depois, a vida, as circunstâncias, nos afastaram. E posso dizer pela experiência pessoal que tive, é que não é uma tarefa das mais fáceis, ajudar alguém que está passando por algo tão delicado, uma sobrevivente de suicídio. Fato é que não importa o quanto você doe de si, fazendo tudo o que pode pela pessoa, ela nunca vai conseguir melhorar e você nunca vai conseguir ajudar se ela primeiramente não quiser ajudar a si mesma. Hoje, não temos mais contato como antes, mas ela está bem e encontrou seu lugar. Fico feliz por ela ter encontrado seu caminho de volta.
No meu íntimo, sei muito bem o que é ter sentimentos assim. E não foi nada fácil falar sobre isso.

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